PREPAREM-SE PARA POSSÍVEIS MUDANÇAS NA JORNADA DE TRABALHO

Prezados empresários,

Vivemos um momento de intensa movimentação política e social em torno das relações de trabalho no Brasil. Em um ano de forte sensibilidade eleitoral e com crescente pressão por melhorias nas condições laborais, torna-se prudente e estratégico, que o setor produtivo esteja atento a possíveis mudanças estruturais na organização da jornada de trabalho.

Entre os temas que ganham força no debate público está a eventual revisão — ou até mesmo a extinção da tradicional escala 6×1.

Independentemente do estágio formal de qualquer proposta legislativa, o cenário político atual indica uma clara tendência de valorização de pautas relacionadas à qualidade de vida do trabalhador. Historicamente, em períodos de maior sensibilidade eleitoral, iniciativas percebidas como benéficas à classe trabalhadora encontram maior viabilidade política, enquanto medidas vistas como restritivas ou impopulares tendem a enfrentar forte resistência.

Nesse contexto, não se trata de afirmar que mudanças já estão definidas, mas sim de reconhecer que há um ambiente propício para transformações relevantes e potencialmente rápidas na regulamentação da jornada de trabalho.

Caso a escala 6×1 venha a ser revista ou extinta, diferentes modelos de organização da jornada já vêm sendo discutidos em ambientes institucionais, técnicos e empresariais.

Entre as principais alternativas em debate, destacam-se:

  1. Escala 5×2 tradicional
    Cinco dias de trabalho e dois de descanso, normalmente com folgas concentradas no fim de semana ou alternadas por revezamento.
  2. Jornada semanal reduzida (ex.: 40 horas ou menos)
    Redução da carga horária semanal total, com redistribuição das horas ao longo dos dias úteis. Existem duas propostas, uma reduzindo para 40 e outra reduzindo para 36 horas.
  3. Escala 4×3 (quatro dias de trabalho por três de descanso)
    Modelo que vem sendo testado em diversos setores como alternativa de aumento de produtividade e bem-estar, com jornadas diárias mais longas ou reorganizadas.
  4. Regimes de compensação por banco de horas ampliado
    Maior flexibilidade para compensação de jornadas, permitindo ajustes operacionais sem ampliação direta do quadro de pessoal.
  5. Escalas de revezamento mais complexas ou personalizadas
    Organização de turnos contínuos com múltiplos grupos de trabalhadores, distribuindo melhor a carga horária semanal.
  6. Regime 12×36 ajustado ou ampliado para novos setores
    Modelo já utilizado em algumas atividades específicas, que pode ser expandido ou adaptado conforme regulamentação futura.
  7. Modelos híbridos de jornada por função ou setor
    Empresas adotando diferentes regimes simultaneamente, conforme a natureza operacional de cada atividade.
  8. Maior flexibilização por negociação coletiva
    Ampliação do espaço para ajustes específicos entre empresas e trabalhadores, com soluções customizadas por segmento econômico. Esse é um ponto que a classe patronal está empenhada em emplacar.
    Diante desse cenário, a postura mais responsável não é reagir quando a mudança ocorrer, mas antecipar cenários e se preparar desde já. Queremos evitar que as empresas sejam atropeladas como aconteceu na mudança da Constituição de 88 que reduziu abruptamente de 48 para 44 horas.

Recomendamos que as organizações iniciem, de forma preventiva, avaliações internas sobre:
– impactos operacionais da substituição da escala 6×1 por modelos alternativos;
– necessidade de redimensionamento de equipes;
– reorganização de turnos e cobertura de horários;
– efeitos sobre custos de pessoal e produtividade;
– revisão de contratos, políticas internas e planejamento estratégico de recursos humanos;
– análise de viabilidade de múltiplos regimes de jornada coexistindo na empresa.

A adaptação antecipada reduz riscos, evita decisões emergenciais e permite transições mais seguras e sustentáveis.

Este editorial não pretende gerar apreensão, mas sim promover consciência estratégica.

Empresas que acompanham o ambiente institucional e se preparam com antecedência preservam competitividade, estabilidade operacional e capacidade de resposta.

Nosso papel, como representação do setor empresarial, é alertar, orientar e incentivar o planejamento responsável diante de cenários que podem impactar profundamente a dinâmica do trabalho.

O momento exige atenção, análise e preparação.

Empresas que se antecipam às mudanças não apenas se protegem — elas se posicionam
melhor para o futuro.

Atenciosamente,

Orlando Marques
Presidente do SIMMEC